Mais de um ano depois de ter sido formalmente constituída, a Comissão para a Promoção do Estudo da Matemática e das Ciências terminou o seu primeiro relatório de diagnóstico e recomendações. As propostas foram anunciadas ontem pelo ministro da Educação, David Justino, e passam em grande parte pelo reforço do ensino da Matemática logo a partir do 1º ciclo (primeiros quatro anos do ensino básico).
Neste nível de escolaridade, os professores devem consagrar pelo menos 90 minutos diários à Matemática (e outros tantos ao Português), começa por sugerir este grupo de trabalho. Em consonância, também no 2º ciclo (5º e 6º anos) deverá haver um "reforço da componente horária" destas matérias, acompanhado de uma "redução do número de disciplinas".
Ainda em relação aos primeiros anos da escolaridade, desaconselha-se a "utilização indiscriminada" da máquina de calcular, dado que "limita a aquisição dos automatismos de cálculo, imprescindíveis à realização em tempo útil das tarefas cognitivas mais complexas", sustenta a comissão. A limitação da utilização da calculadora nas aulas deve manter-se no 3º ciclo e secundário, embora menos acentuada. Deve, sobretudo, ser considerada como um instrumento "subsidiário" e não substituto de competências básicas.
E se a máquina de calcular pode perder importância, já a tabuada e as operações aritméticas devem ser revalorizadas.
Outra das medidas sugeridas prende-se com o reforço do estudo da geometria no 1º ciclo, como forma de tornar mais simples a aprendizagem dos conceitos mais abstractos da Matemática. A geometria poderá ajudar, por exemplo, nas demonstrações de algoritmos e axiomas.
Para além destas e outras medidas específicas propostas para melhorar o ensino de uma das disciplinas que mais dificuldades causam aos alunos portugueses, o volumoso relatório - são 250 páginas de diagnóstico, avaliações comparadas, análises parcelares e contributos vários - faz ainda uma série de recomendações de carácter mais global.
In Público
Será que com estas mudanças, os resultados na matemática vão melhorar?
Esperemos que sim!
Não chegam! Mas é um início.
Fui professor do Ensino Básico durante 7 anos
e professor do E. Secundário 29 anos.
Há muito que clamava (no deserto) contra o erro
pedagógico que se vinha cometendo.
Falarei disso no meu blog com mais detalhe.
Afixado por: João Norte em novembro 22, 2003 08:15 PMNão sei quais as medidas mais correctas. O que tenho a certeza é que é preciso fazer alguma coisa urgentemente para inverter o estado do ensino e da matemática em particular. Mas como diz o João é um começo. Agora é preciso continuar.
Afixado por: vmar em novembro 22, 2003 08:23 PM